segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Morte súbita

 

Como levar uma vida racional numa sociedade irracional?

Ayn Rand -Tradução:Vítor João Oliveira


"Vivemos sob o agnosticismo moral, o preceito de que não se deve fazer um julgamento moral dos outros. O problema é: nada corrompe e destrói uma cultura ou o caráter de um homem tão completamente quanto o agnosticismo moral, que leva as pessoas a abster-se igualmente de elogiar as virtudes e condenar os vícios. Essa atitude reflete enorme injustiça, só explicável pelo fato de que passar um julgamento moral é uma enorme responsabilidade.

Só o cinismo amoral de nossa era permite que alguém se sinta livre para fazer um julgamento irracional, sem arcar com as conseqüências. A realidade objetiva é a instância superior de nossos juízos. É o medo dessa responsabilidade que leva a maioria das pessoas à neutralidade moral indiscriminada e a dizer: “Não julgue, para não serdes julgado”.

Não há como escapar das escolhas que devemos fazer; como temos de fazer escolhas, não há como escapar dos valores morais; e enquanto estiverem em jogo valores morais, nenhuma neutralidade moral é possível. O princípio moral a se adotar nesta questão é: “Julgue e esteja preparado para ser julgado”.

Tolerância indiscriminada e condenação indiscriminada não são dois opostos: são duas variantes do mesmo subterfúgio e uma fuga da responsabilidade do julgamento moral. Se as pessoas não dissessem que um delinqüente juvenil “precisa de amor”, que um criminoso “não conhece nada melhor” ou que os comunistas são simplesmente “reformistas agrários”, a história teria sido diferente. Além disso, dizer que “ninguém está totalmente certo ou totalmente errado” e “quem sou eu para julgar?” têm efeitos letais. À medida que aumenta a neutralidade moral, cresce a solidariedade com o vício e o antagonismo para com a virtude.

Uma sociedade irracional é uma sociedade de covardes morais, paralisados pela perda de critérios, princípios e diretrizes morais. Nessa sociedade, a iniciativa só pode vir dos que estão dispostos a assumir a responsabilidade de estabelecer valores racionais—ou de um facínora, que não está preocupado com questões de responsabilidade.

2 comentários:

Lobo Cinzento disse...

Engraçado, eu ando exatamente pela via que esse texto critica. Penso que o agnosticismo moral é necessário, e uma virtude, pois não elogiar virtudes nem condenar os vícios nos leva ao ponto de ver que tudo que é moralismo somos nós que impomos, quando na verdade creio que meramente uma questão de ponto de vista.

Paulo Braccini disse...

Concordo com o Lobo ... totalmente ... mas enfim ...

bjux

;-)

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