quarta-feira, 3 de março de 2010

Ecos do ão

 

Ecos do Ão

Lenine

Composição: Lenine e Carlos Rennó

Rebenta na Febem rebelião
um vem com um refém e um facão,
a mãe aflita grita logo: não!
  E gruda as mãos na grade do portão.

Aqui no caos total do cu do mundo cão
tal a pobreza, tal a podridão.
Que assim nosso destino e direção
são um enigma, uma interrogação.

Ecos do ão
E, se nos cabe apenas decepção,
colapso, lapso, rapto, corrupção?
  E mais desgraça, mais degradação?
Concentração, má distribuição?

Então a nossa contribuição
não é senão canção, consolação?
Não haverá então mais solução?
não, não, não, não, não...

Ecos do ão
Pra transcender a densa dimensão
da mágoa imensa então, somente então
passar além da dor da condição
de inferno e céu, nossa contradição,

nós temos que fazer com precisão
entre projeto e sonho a distinção,
para sonhar enfim sem ilusão,
o sonho luminoso da razão
Ecos do ão
E se nos cabe só humilhação
impossibilidade de ascensão,
um sentimento de desilusão
e fantasias de compensação.

E é só ruina, tudo em construção
e a vasta selva, só devastação.
Não haverá então mais salvação?
não, não, não, não, não...

Ecos do ão
Porque não somos só intuição
nem só pé-de-chinelo, pé no chão
nós temos violência e perversão
mas temos o talento e a invenção
desejos de beleza em profusão
ideias na cabeça, coração
a singeleza e a sofisticação
o choro, a bossa, o samba e o violão
Ecos do ão
mas, se nós temos planos, e eles são
o fim da fome e da difamação
por que não pô-los logo em ação?
tal seja agora a inauguração
da nova nossa civilização
tão singular igual ao nosso ão
e sejam belos, livres, luminosos
os nossos sonhos de nação.

Ecos do ão

Um comentário:

Paulo Braccini disse...

Lenine é o CARA ... este sim ...

bjux

;-)

NeoCounter