domingo, 31 de maio de 2009

Gritos

Olha,nem sei em que jornal eu ví isso.Mas tenho a impressão de já ter visto.Sabe quando você escreve uma história e tem a impressão que só lembrou de alguma outra que leu?Quem sabe do Veríssimo.É, eu cresci com ele e Scliar,então, nem sei, mas vai assim mesmo.
Sabe como é, pum que sobe pra cabeça,rsrsrs


A ultima coisa que ouviram, foram os gritos de Marcella.
Eram altos, desesperados.
Depois,ficou tudo quieto, e seu Nildo e Dona Maria não sabiam o que fazer.
-Será que ele matou ela? Perguntou Maria.
-Eu começo a achar que sim. Sussurrou Nildo, sentindo-se angustiado.

Marcella sempre fora de falar alto,de gesticular também.
Quando ria, todos ficavam olhando, pois parecia que não ia parar nunca.
Quando começou a namorar o cafajeste do Gilson,foi um tormento.
Toda noite eles acordavam assustados,era um barulho infernal,gritinhos risadas enfim,pareciam dois bichos brigando.Os vizinhos do outro lado pensavam em chamar a policia, mas como Gilson era inspetor, não ia adiantar de nada, então, foram acostumando.

Já estavam nessa vida há quatro meses, quando a relação deles começou a mudar.
Em vez dos escândalos apaixonados, era briga diária.
E nada de discussãozinha de meia hora, as vezes durava a noite toda, pois depois do arranca- rabo, vinha a reconciliação,e o barulho não acabava nunca.
Mas hoje tinha acabado.Tudo estava silencioso,e os velhos temiam pelo pior.

Pela manhã,foram acordados pela policia,que veio tomar depoimentos dos vizinhos,tentando achar alguma pista para as duas misteriosas mortes.
Marcella e Gilson foram encontrados pela faxineira.

O corpo de Gilson sangrava pelo ouvido,e Marcella, jazia roxa, como asfixiada.
Na autópsia, ficou provado,Gilson tivera um derrame fatal.
Marcella morreu de uma parada cardio-repiratória.
Mortes naturais, o legista afirmou.
Provavelmente,ao ver Gilson sangrar pelo ouvido, Marcella achou que o tinha matado à gritos.
E morreu, depois de tanto gritar.
Depois disso, Nildo e Maria foram ficando surdos, e agora, eles começaram a gritar.

O vizinho do outro lado anda pensando outra vez em chamar a policia.

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