sábado, 24 de janeiro de 2009

Concordo!

AAAAMMMEEIII essa mulher que sabe escrever,por isso copio, por que ela sabe escrever, e eu não!


O puxa-saco.

De Bianca Rosolem.

Minha mãe, na tentativa de reprimir minhas traquinagens infantis, tinha por hábito me assustar dizendo que o "Homem do Saco" levava embora crianças que não obedeciam a seus pais. Confesso que eu sentia lá um certo temor, porém, jamais fora o suficiente para que então eu fosse uma garota muito polida. A idade passou e o "Homem do Saco" perdeu sua importância e ficou no imaginário da criança que fui.

Adulta eu me deparei com o outro espécime do saco: O Puxa-Saco.

Este sim, me causa terríveis calafrios e também uma vontade imensa de me tornar sociopata.

O Puxa-Saco é aquela figura sem talento, mas astuta e muitíssimo esperta. Ele utiliza ardis poderosos para manter-se sob a luz do Chefe. Chefes são seres do mundo profissional que necessitam de objetos sem luz própria a fim de irradiarem de maneira mais ampla seu poder de ação.

O Puxa-Saco não o levará embora fisicamente, apenas seqüestrará seu bom-humor.

Ele sempre estará ao redor do Chefe, em órbita elíptica, 360 dias no ano, em todas as suas horas, segundos, e eventual nova descoberta sobre o tempo da Física. Estará pronto para rir de suas péssimas piadas, apoiar suas críticas, e abanar rabo como um cachorro débil e servil. Ele busca café e sorri para o filho pentelho do Chefe, mesmo quando esse puxa seus cabelos ou desfere um golpe de judô-ninja-seriado-enlatado em suas costas. Se tudo der certo, ele ficará amigo da esposa baranga também, na tentativa de adentrar no ambiente familiar do Chefe para desfrutar das regalias econômicas que com seu trabalho jamais será capaz de usufruir. Como é uma pessoa inútil no setor, e seu trabalho é visivelmente insuficiente perante todos os colegas e, para salvar-se da incompetência, o Puxa-Saco se utiliza da falta de amor próprio e de seu complexo de inferioridade lambendo todas as migalhas deixadas pelo Chefe. É uma relação de comensalismo social, onde o excesso de vaidade e a falta de inteligência se compensam na falsidade de elogios.

O Puxa-Saco é obediente e fiel, acredita que mesmo incapaz será Chefe de algo, mesmo que isso se restrinja ao controle de entrada e saída dos demais colegas.

E então, suas atividades ficarão restritas a tais espúrias atividades, executando o trabalho sujo para o Chefe.

Porém, o Puxa-Saco em sua parca inteligência confundirá suas atividades servis com poder, o que o levará a uma lenta e triste derrocada.

O Puxa-Saco esquecerá de sua natureza insignificante e começará a adentrar a Zona de Poder do Chefe. Este será o seu grande erro.

O Chefe perceberá na figura do Puxa-Saco alguém que almeja o seu posto, e aos poucos, minará suas intenções.

Desta maneira, o Puxa-Saco voltará lentamente às suas atividades e, ainda, não mais desfrutará das regalias decorrentes da sua arte saco-puxística altamente aprimorada.

Porém, deverá ele ainda permanecer Puxa-Saco, mas agora mais humilhado, dormindo na área de serviço do Chefe, e sempre de prontidão para atender seus maiores devaneios e caprichos.

Sem aumento de salário.

Bianca Rosolem é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 16h33
[(6) Vários falando! Que beleza!]


13/01/2009

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